
O Banco do Canadá (BoC) elevou sua taxa de juros para 2,50% na quarta-feira, enquanto o Fed a manteve na faixa de 3,75% a 4,00%, reduzindo em um quarto de ponto percentual o diferencial a favor do Fed em uma única sessão. O USD/CAD cruzou o nível de 1,4050 nos dois sentidos no candle de cinco minutos da divulgação da decisão do BoC, e sua queda após o comunicado do Fed foi interrompida acima da mínima registrada antes de ambas as decisões. O par é negociado abaixo de 1,4050.

Esta é a primeira alta do BoC desde julho de 2023, adotada para impedir que os preços elevados da energia se propaguem para outros preços, e deixa o diferencial a favor do Fed entre 1,25 e 1,50 ponto percentual. O Relatório de Política Monetária (MPR) elevou a projeção de inflação para 2027 de 2,0% para 3,1% e prevê que ela só voltará a ficar próxima de 2% em meados de 2028. Rogers, vice-presidente sênior do BoC, afirmou que houve amplo consenso entre os responsáveis pela política monetária de que os riscos inflacionários haviam aumentado.
O presidente do BoC, Macklem, afirmou que a taxa ainda está baixa o suficiente para não restringir o crescimento, e o mesmo relatório elevou a projeção de crescimento para 2026 de 0,7% para 1,0%. O BoC disse que pode precisar elevar os juros novamente, mas que agirá com cautela. A TD Economics espera mais uma alta, para 2,75%, o que reduziria o atual diferencial a favor do Fed para uma faixa de 1,00 a 1,25 ponto percentual.
A Statistics Canada divulgará o Produto Interno Bruto (PIB) de agosto às 12h30 GMT de sexta-feira, tendo como referência sua própria estimativa preliminar de alta de 0,2%. Os dados de crescimento dos EUA no terceiro trimestre e o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de setembro serão divulgados um dia antes, também às 12h30 GMT. Ambos servirão de base para as próximas decisões, que tanto o Fed quanto o BoC anunciarão em 9 de dezembro.
O presidente do Fed, Warsh, concederá uma entrevista coletiva a partir das 18h30 GMT de quarta-feira, após o BoC já ter anunciado sua decisão. Nas reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), em 16 de outubro, ele afirmou que outros bancos centrais compartilham sua preocupação com a inflação elevada. Suas declarações sobre dezembro terão implicações para uma eventual ampliação do diferencial de juros a favor do Fed em relação ao BoC em 9 de dezembro.
O par oscilou entre pouco acima de 1,4000 e pouco abaixo de 1,4100 na quarta-feira, com a máxima registrada antes da queda que antecedeu a divulgação da decisão do BoC. Desde essa divulgação, o par se manteve na metade inferior da faixa, enquanto o indicador de momentum intradiário avançou em direção à região de sobrecompra à medida que se aproximava a decisão do Fed.

As taxas de juros são cobradas pelas instituições financeiras sobre os empréstimos concedidos e pagas como remuneração aos poupadores e depositantes. Elas são influenciadas pelas taxas básicas de juros, definidas pelos bancos centrais em resposta às mudanças na economia. Os bancos centrais normalmente têm o mandato de assegurar a estabilidade dos preços, o que, na maioria dos casos, significa buscar uma taxa de inflação subjacente em torno de 2%. Se a inflação ficar abaixo da meta, o banco central poderá reduzir as taxas básicas de juros para estimular o crédito e impulsionar a economia. Se a inflação subir substancialmente acima de 2%, isso normalmente levará o banco central a elevar as taxas básicas de juros na tentativa de reduzir a inflação.
Taxas de juros mais altas geralmente ajudam a fortalecer a moeda de um país, pois tornam esse país um destino mais atraente para os investidores globais aplicarem seu dinheiro.
De modo geral, taxas de juros mais altas pressionam o preço do ouro, pois aumentam o custo de oportunidade de manter o metal em vez de investir em um ativo que rende juros ou depositar dinheiro no banco. Taxas de juros elevadas costumam valorizar o dólar americano (USD) e, como o ouro é cotado em dólares, isso tem o efeito de reduzir o preço do metal.
A taxa dos Fed Funds é a taxa de juros dos empréstimos de um dia entre bancos dos EUA. É a principal taxa de referência, frequentemente citada, definida pelo Federal Reserve nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Ela é estabelecida como uma faixa, por exemplo, de 4,75% a 5,00%, embora o limite superior (nesse caso, 5,00%) seja o valor citado. As expectativas do mercado para a taxa futura dos Fed Funds são acompanhadas pela ferramenta CME FedWatch, que influencia o comportamento de muitos mercados financeiros em antecipação às futuras decisões de política monetária do Federal Reserve.