Dólar canadense avança apesar da queda dos preços do petróleo

  • USD/CAD recua com a queda do dólar americano após o presidente Trump descartar ataques militares imediatos contra o Irã, reduzindo a demanda por ativos de refúgio.
  • Dólar canadense pode enfrentar dificuldades, já que o alívio das tensões no Oriente Médio pressionou os preços do petróleo.
  • Mercados precificam uma probabilidade de 90,6% de o Fed manter os juros inalterados na reunião de 27 e 28 de outubro.

O USD/CAD recua após abrir com um gap de alta, sendo negociado em torno de 1,4000 durante a sessão asiática de segunda-feira. O par perde terreno com a queda do dólar americano (USD), em meio à menor demanda por ativos de refúgio, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, descartou uma ação militar imediata contra o Irã, afirmando que “não haverá um ataque hoje”, segundo a Al Jazeera.

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No entanto, as declarações do presidente Trump aliviaram a pressão de alta sobre os preços do petróleo, o que pode pressionar para baixo o dólar canadense (CAD), moeda ligada às commodities, e limitar a queda do par USD/CAD.

Crescimento do Canadá deve desacelerar no terceiro trimestre com a persistência do impacto negativo do setor imobiliário

Analistas do Royal Bank of Canada destacam que a demanda doméstica continua sob pressão, observando que “os mercados imobiliários permanecem fracos” às vésperas da divulgação dos dados do fim do verão. Eles acrescentam que os números do produto interno bruto de agosto, previstos para a próxima sexta-feira, “devem confirmar que o crescimento desacelerou no terceiro trimestre após disparar no segundo trimestre”, reforçando sua avaliação de que a economia perdeu ritmo após a forte expansão anterior da atividade.

Os operadores voltaram sua atenção para a próxima decisão de política monetária do Federal Reserve. A expectativa predominante é de que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas antes de uma possível nova alta em dezembro. Segundo a ferramenta CME FedWatch, os mercados precificam atualmente uma probabilidade de 90,6% de manutenção dos juros na reunião de política monetária de 27 e 28 de outubro, além de uma chance de 79,7% de alta em dezembro.

Demanda por refúgio se distribui entre moedas à medida que evoluem os riscos geopolíticos e ligados à IA

Estrategistas do OCBC observam que os fluxos em busca de refúgio estão cada vez mais fragmentados entre as moedas do G10, com diferentes choques impulsionando a demanda por diferentes moedas. Eles observam que “os receios em relação à IA favorecem o JPY, as tensões no Oriente Médio sustentam o CAD e a NOK, enquanto o estresse fiscal francês beneficia o CHF”, ressaltando como as preocupações com o crescimento ligadas à tecnologia, os riscos geopolíticos regionais e as inquietações fiscais específicas de cada país moldam diferentes focos de posicionamento defensivo no mercado cambial.

Análise técnica: USD/CAD recua em meio ao predomínio do viés de baixa

No gráfico diário, o USD/CAD é negociado a 1,4000, mantendo um viés de baixa no curto prazo ao permanecer abaixo das médias móveis exponenciais (EMAs) de nove e 50 períodos. O par recuou das máximas recentes e continua com a alta limitada por esse agrupamento de EMAs de curto prazo, enquanto o Índice de Força Relativa (RSI) de 14 dias, em 37, se aproxima da região de sobrevenda, sugerindo um enfraquecimento do impulso de alta, e não uma reversão decisiva.

Na direção de alta, a resistência imediata está na EMA de 50 períodos, em 1,4067, seguida de perto pela EMA de nove períodos, em 1,4073, com uma barreira mais forte no nível horizontal próximo de 1,4300. Na direção de baixa, o suporte inicial aparece em 1,3732, antes de um piso estrutural mais distante em 1,3482, e somente um rompimento sustentado abaixo desses níveis abriria espaço para uma fase corretiva mais profunda.

Chart Analysis USD/CAD
USD/CAD: gráfico diário

(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)

Perguntas frequentes sobre o dólar canadense

Os principais fatores que influenciam o dólar canadense (CAD) são o nível das taxas de juros definido pelo Banco do Canadá (BoC), o preço do petróleo, principal produto de exportação do país, a saúde da economia canadense, a inflação e a balança comercial, que corresponde à diferença entre o valor das exportações e das importações do Canadá. Outros fatores incluem o sentimento do mercado, ou seja, se os investidores estão comprando ativos de maior risco (apetite por risco) ou buscando ativos de refúgio (aversão ao risco), sendo que o apetite por risco favorece o CAD. Como os EUA são o maior parceiro comercial do Canadá, a saúde da economia americana também é um fator importante para o dólar canadense.

O Banco do Canadá (BoC) exerce uma influência significativa sobre o dólar canadense ao definir o nível das taxas de juros pelas quais os bancos podem emprestar uns aos outros. Isso influencia o nível das taxas de juros para todos. O principal objetivo do BoC é manter a inflação entre 1% e 3%, ajustando os juros para cima ou para baixo. Taxas de juros relativamente mais altas tendem a favorecer o CAD. O Banco do Canadá também pode recorrer à flexibilização e ao aperto quantitativos para influenciar as condições de crédito, sendo que a primeira medida tende a prejudicar o CAD e a segunda, a favorecê-lo.

O preço do petróleo é um fator importante para o valor do dólar canadense. O petróleo é o principal produto de exportação do Canadá, por isso seu preço tende a ter um impacto imediato sobre o valor do CAD. Em geral, quando o preço do petróleo sobe, o CAD também se valoriza, pois a demanda agregada pela moeda aumenta. O contrário ocorre quando o preço do petróleo cai. Preços mais altos do petróleo também tendem a aumentar a probabilidade de um superávit comercial, o que igualmente favorece o CAD.

Embora a inflação tenha sido tradicionalmente considerada um fator negativo para uma moeda, por reduzir o valor do dinheiro, o contrário tem ocorrido nos tempos modernos com a flexibilização dos controles sobre os fluxos internacionais de capital. Uma inflação mais alta tende a levar os bancos centrais a elevar as taxas de juros, o que atrai mais capital de investidores globais em busca de um destino rentável para seus recursos. Isso aumenta a demanda pela moeda local, que, no caso do Canadá, é o dólar canadense.

As divulgações de dados macroeconômicos permitem avaliar a saúde da economia e podem afetar o dólar canadense. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e de serviços, os dados de emprego e as pesquisas de confiança do consumidor podem influenciar a direção do CAD. Uma economia forte favorece o dólar canadense. Além de atrair mais investimento estrangeiro, ela pode incentivar o Banco do Canadá a elevar os juros, levando à valorização da moeda. Se os dados econômicos forem fracos, porém, o CAD tende a cair.