Especialistas concordam: perspectivas para a política monetária do Fed e tensões geopolíticas sustentam a demanda pelo dólar americano

  • O Índice do Dólar sobe 0,6% em três dias e atinge novas máximas de duas semanas acima de 102,00.
  • Investidores voltam ao dólar americano enquanto os mercados se preparam para uma manutenção dos juros com sinalização restritiva pelo Fed na quarta-feira.
  • A diminuição das esperanças de um acordo de paz imediato entre EUA e Irã tem dado apoio adicional ao dólar americano, considerado um ativo de refúgio.

O dólar americano tem apresentado um dos melhores desempenhos entre as principais moedas nas últimas sessões. O Índice do Dólar (DXY), que mede o valor do dólar americano (USD) em relação a uma cesta de seis outras moedas, subiu mais de 0,6% nos últimos três pregões, atingindo máximas de duas semanas acima de 102,00, enquanto os investidores aguardam o resultado da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), previsto para a próxima quarta-feira.

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Os operadores passaram a adotar posições compradas no dólar americano nesta semana, com os mercados se preparando para uma manutenção dos juros com sinalização restritiva pelo Federal Reserve (Fed), que confirme as expectativas de uma alta de um quarto de ponto percentual em dezembro. Além disso, a mais recente tentativa de reduzir as tensões no Oriente Médio terminou como as anteriores: sem resultado. Ao mesmo tempo, os confrontos contínuos entre potências regionais e os ataques no Estreito de Ormuz dão apoio adicional ao USD devido à sua condição de ativo de refúgio.

Apoio ao dólar ganha força antes de decisão crucial do Fed

Segundo Chris Turner, do ING, com “os preços da energia firmes e as expectativas crescentes de que os EUA e Israel lancem outro ataque contra o Irã (...) esperamos que os bancos centrais mantenham uma postura restritiva. Isso deve sustentar o dólar nos recuos.”

Na mesma linha, os analistas do HSBC “esperam que o USD se consolide perto das máximas recentes nas próximas semanas, com os riscos pendendo mais para novas altas do que para uma desvalorização significativa.”

O HSBC defende uma perspectiva mais neutra para o USD, com os especialistas do banco argumentando que “a resiliência da economia americana, um Federal Reserve de postura restritiva e possíveis desafios para outras moedas devem limitar as quedas do USD, sem necessariamente fornecer impulso para uma nova etapa de alta.”

A TD Securities aponta na mesma direção, destacando os riscos persistentes de inflação e prevendo uma postura cautelosa do FOMC após a reunião de quarta-feira. “Uma manutenção dos juros em outubro tornará uma alta em dezembro ainda mais provável”, segundo o especialista da TD Securities.

Tensões no crédito da zona do euro aumentam a demanda pelo USD

Estrategistas do Brown Brothers Harriman destacam que a pesquisa de outubro do BCE “mostrou um novo aperto líquido dos critérios de concessão de crédito e uma demanda mais fraca por empréstimos no terceiro trimestre”, combinação que “prejudica a atividade econômica da zona do euro e coloca em dúvida os quase 75 pontos-base de altas dos juros pelo BCE precificados pelos mercados para os próximos doze meses.”

Nos EUA, “os pedidos de bens duráveis de setembro e a variação semanal do emprego da ADP provavelmente ressaltarão a resiliência da economia”, afirma o BBH, acrescentando que “a alta dos preços da gasolina aponta para uma piora das expectativas de inflação de curto prazo na pesquisa de confiança do consumidor de outubro.” No conjunto, esses fatores reforçam os argumentos a favor de uma postura firme do Fed na condução da política monetária.

Perguntas frequentes sobre o dólar americano

O dólar americano (USD) é a moeda oficial dos Estados Unidos da América e a moeda “de fato” de um número significativo de outros países, onde circula ao lado das cédulas locais. É a moeda mais negociada do mundo, respondendo por mais de 88% de todo o volume global de negociações no mercado de câmbio, ou uma média de US$ 6,6 trilhões em transações por dia, segundo dados de 2022. Após a Segunda Guerra Mundial, o USD substituiu a libra esterlina como moeda de reserva mundial. Durante a maior parte de sua história, o dólar americano teve lastro em ouro, até o Acordo de Bretton Woods, em 1971, quando o padrão-ouro foi abandonado.

O principal fator que afeta o valor do dólar americano é a política monetária, definida pelo Federal Reserve (Fed). O Fed tem um mandato duplo: alcançar a estabilidade de preços (controlar a inflação) e promover o pleno emprego. Seu principal instrumento para atingir esses dois objetivos é o ajuste das taxas de juros. Quando os preços sobem muito rapidamente e a inflação fica acima da meta de 2% do Fed, a instituição aumenta os juros, o que favorece o valor do USD. Quando a inflação cai abaixo de 2% ou a taxa de desemprego está muito elevada, o Fed pode reduzir os juros, o que pressiona o dólar americano.

Em situações extremas, o Federal Reserve também pode emitir mais dólares e adotar o afrouxamento quantitativo (QE). O QE é o processo pelo qual o Fed aumenta substancialmente o fluxo de crédito em um sistema financeiro paralisado. Trata-se de uma medida não convencional de política monetária, utilizada quando o crédito se esgota porque os bancos deixam de emprestar uns aos outros por receio de inadimplência da contraparte. É um último recurso quando a simples redução dos juros provavelmente não produzirá o resultado necessário. Foi o instrumento escolhido pelo Fed para combater a contração do crédito durante a Grande Crise Financeira de 2008. Esse processo envolve a emissão de mais dólares pelo Fed e seu uso para comprar títulos do governo americano, predominantemente de instituições financeiras. O QE geralmente leva a um enfraquecimento do dólar americano.

O aperto quantitativo (QT) é o processo inverso, no qual o Federal Reserve deixa de comprar títulos de instituições financeiras e não reinveste em novas compras o principal dos títulos de sua carteira que chegam ao vencimento. Geralmente, isso é positivo para o dólar americano.