Forex hoje: BoJ mantém política monetária inalterada, ouro cai abaixo de US$ 4.000

Confira o que você precisa saber nesta sexta-feira, 30 de outubro:

Os mercados registram maior volatilidade no início desta sexta-feira, enquanto os investidores avaliam as últimas decisões dos bancos centrais e os dados macroeconômicos divulgados, além de acompanhar de perto os movimentos dos futuros dos índices acionários dos EUA. Mais adiante na sessão, o calendário econômico terá os dados preliminares de inflação de outubro da Alemanha, as leituras do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre da zona do euro e o Índice de Custo do Emprego do terceiro trimestre dos EUA. Além disso, estão previstos discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) e do Federal Reserve (Fed).

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O BCE manteve suas principais taxas de juros inalteradas após a reunião de outubro, na quinta-feira, conforme amplamente esperado. Durante a coletiva de imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que o Conselho do BCE debateu se um aumento dos juros seria apropriado, acrescentando que a inflação cheia deve permanecer “bem acima da meta” nos próximos trimestres. Após cair em direção a 1,1100, o EUR/USD inverteu a trajetória diante do tom favorável ao aperto monetário de Lagarde e encerrou a quinta-feira em alta, acima de 1,1150. O par se mantém firme na manhã europeia desta sexta-feira, mas encontra dificuldades para superar 1,1200, já que a deterioração do apetite ao risco limita os ganhos.

Perspectivas para o euro dependem da trajetória do BCE após dezembro

Analistas do Commerzbank observam que o BCE “fez a pausa amplamente esperada” na reunião de ontem, mas ressaltam que a política monetária continua longe de estar no piloto automático. Segundo o banco, a presidente do BCE, Christine Lagarde, “deixou claro que, diante dos preços mais altos da energia, o Conselho do BCE de fato discutiu outra alta dos juros” e “deixou a porta aberta para um terceiro aumento dos juros neste ano, em dezembro”.

Para o euro, o Commerzbank argumenta que “a questão mais importante provavelmente será o que acontecerá depois de dezembro”, com a trajetória da moeda tendendo a ser determinada menos pela próxima reunião e mais pelo cenário mais amplo da inflação. Na avaliação dos analistas, “muito dependerá da evolução dos preços da energia”, que será crucial para moldar as expectativas sobre a trajetória da política monetária do BCE.

Enquanto isso, os dados dos Estados Unidos (EUA) mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, superando a expectativa do mercado de uma expansão de 3,2%. Além disso, o núcleo do Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Fed, subiu 3,1% em setembro na comparação anual, em linha com a estimativa dos analistas.

As ações da Alphabet, controladora do Google, despencaram mais de 10% na quinta-feira e atingiram o menor nível desde abril, após a empresa informar que os resumos de inteligência artificial nas buscas estavam prejudicando a receita publicitária. Além disso, a companhia reportou um fluxo de caixa livre negativo de cerca de US$ 9 bilhões. Na manhã europeia desta sexta-feira, os futuros do Nasdaq caem cerca de 2% no dia, o Índice do Dólar permanece estável perto de 101,80, enquanto o rendimento do título de referência do Tesouro dos EUA de 10 anos segue praticamente inalterado no dia, abaixo de 5%, após recuar mais de 1% na quinta-feira.

Durante o pregão asiático, o Banco do Japão (BoJ) anunciou a manutenção da taxa de juros de curto prazo em 1,25%, após a conclusão de sua reunião de política monetária de dois dias. Na coletiva de imprensa após a reunião, o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, reiterou que o banco continuará elevando a taxa básica de juros e ajustando o grau de afrouxamento monetário conforme a evolução da atividade econômica, dos preços e das condições financeiras. Após cair em direção a 157,00, o USD/JPY recuperou força e era negociado, na última cotação, praticamente estável, a 157,55.

O FXS Speechtracker atribuiu aos comentários de Ueda uma pontuação de 7,2/10, ligeiramente abaixo da referência histórica de 7,7/10, sinalizando um tom um pouco menos confiante, apesar do claro reconhecimento de que a inflação subjacente medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) está agora, de modo geral, em linha com a meta de 2%. O compromisso de continuar elevando a taxa básica de juros e ajustar o grau de afrouxamento monetário conforme a evolução da atividade econômica, dos preços e das condições financeiras indicou uma postura moderadamente favorável ao aperto monetário, atenuada pela ênfase reiterada nas condições financeiras acomodatícias e no apoio governamental ao crescimento.

Após registrar ganhos marginais por três dias consecutivos, o ouro sofreu forte pressão vendedora na quinta-feira e perdeu mais de 1%. O metal precioso continua recuando e era negociado, na última cotação, perto de US$ 3.980, com queda de cerca de 1% no dia.

Recuperação do ouro perde força, e OCBC aponta novas compras limitadas e risco de voltar a testar mínimas

Estrategistas do OCBC observam que a recente recuperação do ouro ocorreu “apesar de algum recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e nos preços do petróleo”. Eles destacam que, “mais importante, a incapacidade do ouro de se beneficiar dos rendimentos mais baixos sugere que o interesse por novas compras continua limitado, embora as pressões anteriores de liquidação de posições possam estar diminuindo”. O OCBC acrescenta que “a retomada da fraqueza nas ações de tecnologia também pesou sobre o sentimento, pois aumenta as preocupações com uma nova onda de desalavancagem mais ampla”. Nesse contexto, o banco afirma: “mantemos a cautela no curto prazo, sem descartar uma consolidação adicional ou um novo teste das mínimas recentes”, ressaltando que será importante acompanhar o Índice de Custo do Emprego de sexta-feira e “a direção das ações, dos rendimentos e do dólar americano”.

GBP/USD se mantém firme e é negociado em alta perto de 1,3400, após avançar cerca de 0,4% na quinta-feira.

Perguntas frequentes sobre o apetite ao risco

No jargão financeiro, os termos amplamente utilizados “risk-on” e “risk-off” se referem ao nível de risco que os investidores estão dispostos a assumir no período em questão. Em um mercado “risk-on”, os investidores estão otimistas em relação ao futuro e mais dispostos a comprar ativos de risco. Em um mercado “risk-off”, os investidores passam a priorizar a segurança porque estão preocupados com o futuro e, por isso, compram ativos de menor risco, com maior probabilidade de gerar retorno, ainda que relativamente modesto.

Normalmente, durante períodos de apetite ao risco, as bolsas de valores sobem e a maioria das commodities, com exceção do ouro, também se valoriza, pois se beneficia de perspectivas positivas de crescimento. As moedas de países que são grandes exportadores de commodities se fortalecem com o aumento da demanda, e as criptomoedas sobem. Em um mercado de aversão ao risco, os títulos se valorizam, especialmente os principais títulos públicos, o ouro ganha destaque e as moedas consideradas refúgios seguros, como o iene japonês, o franco suíço e o dólar americano, se beneficiam.

O dólar australiano (AUD), o dólar canadense (CAD), o dólar neozelandês (NZD) e moedas menos negociadas, como o rublo (RUB) e o rand sul-africano (ZAR), tendem a se valorizar em mercados com apetite ao risco. Isso ocorre porque o crescimento das economias dessas moedas depende fortemente das exportações de commodities, cujos preços tendem a subir durante períodos de apetite ao risco. Essa alta acontece porque os investidores preveem maior demanda por matérias-primas no futuro, em razão da intensificação da atividade econômica.

As principais moedas que tendem a se valorizar durante períodos de aversão ao risco são o dólar americano (USD), o iene japonês (JPY) e o franco suíço (CHF). O dólar americano se beneficia por ser a moeda de reserva mundial e porque, em momentos de crise, os investidores compram títulos da dívida pública dos EUA, considerados seguros, já que é improvável que a maior economia do mundo deixe de honrar seus compromissos. O iene se valoriza com o aumento da demanda por títulos públicos japoneses, pois uma grande parcela deles está nas mãos de investidores domésticos, que dificilmente os venderiam em massa, mesmo em uma crise. Já o franco suíço se beneficia porque a rigorosa legislação bancária da Suíça oferece maior proteção ao capital dos investidores.